Reféns das Redes Sociais

Provavelmente sempre foi assim, mas eu por vezes chego tarde às coisas.

Ultimamente tenho notado uma pressão gigante nas redes sociais.

As pessoas têm necessidade de se afirmar e quase justificar no meio virtual.

Onde estão.

O que vestem.

O que comem.

As idas ao ginásio.

Os dias de praia.

Se por um lado poderia ser normal, vivermos numa espécie de big brother, por outro, é assustador.

Parecem amarras.

Âncoras.

Então, isto para ser giro temos que acordar maravilhosos numa cama branca imaculada. Pumba fotografar e postar.

Depois tomares um mega pequeno-almoço totalmente healthy. Panquecas, mirtilos, sumo detox, chá daqueles com nomes estranhos. Pumba fotografar e postar.

A caminho do trabalho há sempre vistas lindas e maravilhosas, ou seja, o cenário perfeito para uma selfie. Pumba fotografar e postar.

O dia de trabalho então, é sempre com # que diga: #amooquefaço. Pumba fotografar e postar.

A meio do dia, lá vem uma ou outra referência como quem não quer a coisa do sapatinho, do vestido ou da bolsa. Pumba fotografar e postar.

E depois começa a ramboia pós-laboral. Pumba fotografar e postar.

A sangria de frutos vermelhos com vista para o rio. Pumba fotografar e postar.

O sushi feito pelo chef mais in da cidade que chega à mesa e antes de alguém ousar tocar-lhe, ouve-se os click’s dos telemóveis. Pumba fotografar e postar.

Depois o convívio com os #friends. Pumba fotografar e postar.

E por fim, a cama e o boa noite. Pumba fotografar e postar.

Mas será que há pessoas com dias assim tão fantásticoooooos? Sempre???

Têm sempre tempo para um mega pequeno-almoço?

Quando vão para o trabalho não passam por prédios e obras?

Têm sempre bateria no telemóvel?

Cada passinho=cada click… como conseguem?

Eu não critico quem o faça, mas acho tão cansativo para mim.

Confesso que quando estou com os #meus, a última coisa que me vem à lembrança é agarrar-me ao telemóvel (expecto se tiver a resolver algum problema profissional), mas também acontece claro (mas nada de exageros!).

Tenho reparado na quantidade de pessoas que vê e vive a vida através dos ecrãs dos telemóveis.

Nas praias, concertos, restaurantes, jardins…

Antes não era assim pois não?

Credo parece coisa da Polícia Judiciária!!

Já nem falo da pressão que as grávidas vivem nas redes socais. Passam nove meses da gravidez a malharem forte e feio, e não falo das Carolinas Patrocínios da vida que essas estão habituadas ao treino, falo daquelas que têm pânico em engordar e depois como é? A primeira fotografia do pós-grávida? Os abdominais? Têm que estar ”perfeitas” senão caem-lhes a massa crítica que se esconde atrás de um teclado a desfazê-las ao invés de lhes darem os parabéns por ter sido mães.

Por isso é que os programas tipo o big brother, têm sempre um sucesso abismal. É o mesmo fenómeno das redes sociais.

Aliás, quase o mesmo. Enquanto que nos programas desse género é a vida real, o que vai parar às redes sociais é apenas o que as pessoas querem mostrar.

redes-sociais

 

Créditos da fotografia: Kaique Rocha

 

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4 Replies to “Reféns das Redes Sociais”

  1. Eu acho muito cansativo também, tanto para assistir quanto para fazer… É uma superexposição surreal, acho desnecessário para falar a verdade.

    1. Sobretudo… cansativooooo! 🙂

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Maria Amélia ícone
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