Cinema | A rapariga dinamarquesa (The Danish Girl)

Perturbador!

Se tivesse que escolher uma palavra para descrever o que senti em relação a este filme seria essa, mas se tivesse que escolher outra escolheria amor.

Este filme é uma verdadeira história de amor e seria perfeito se a natureza não tivesse sido imperfeita.

É importante dizer que este filme é inspirado em factos reais e que histórias destas acontecem.

Mais uma vez Eddie Redmayne foi brilhante, já no ano passado (aqui) tinha escrito sobre ele. Interpretou Einar Wegener, um pintor conhecido na década de 20 que viveu entre a Dinamarca e Paris. Einar sempre sentiu que era “diferente”, que vivia num corpo que não lhe pertencia e foi quando pousou de modelo feminino para a também pintora e sua esposa Gerda Wegener (Alicia Vikander) que teve plena consciência do quão a natureza tinha errado.

A partir daí começou uma maratona de idas a médicos que naquela altura consideravam que ele seria louco e uma aberração, até que encontrou aquele que seria um médico disponível para fazer as intervenções cirúrgicas para a mudança de sexo. Mas Einar seria o pioneiro nessas andanças, suportando tudo o que o termo pioneiro tem: incertezas, inseguranças, perigo e afins.

O que mais gostei?

Do argumento.

Da verdade.

Da realidade que o actor pôs na Lili ao assumir nos anos 20 uma questão tão controversa.

A expressão de espontaneidade do Einar cada vez que colocava os saltos altos e se sentia realmente feliz. Mais que feliz, sentia-se autêntico!

Da dor vincada na cara da actriz (Alicia Vikander) ao perceber que estava a perder o marido que tanto amava em prol de o permitir voar e ser livre.

Do amor dela ser maior que tudo.

A transformação da personagem da Gerba, de esposa para a melhor amiga.

Da mensagem que este filme passa.

Do guarda roupa. Os tecidos, texturas, cores… tudo brilhante!

Banda sonora (Alexander Desplat) clap clap!

Fotografia do filme (Danny Cohen) muito boa!

E parabéns ao Tom Hooper pela realização.

 

O que menos gostei?

A quantidade de pessoas a ver o filme que gargalhavam sempre que aparecia a Lili.

Será que perceberam a mensagem?

Será que sabem que a Lili Elbe foi a primeira pessoa transexual registada e que passou por cirurgias pioneiras arriscadíssimas e pós-operatórios muito agressivos?

Que até conseguir encontrar um médico que respeitasse a sua vontade foi submetida a choques eléctricos e considerada muitas vezes como uma aberração da natureza?

E que a luta de Einar/Lili é uma referencia mundial para o movimento transgénero?

Isto é e será sempre o reflexo do preconceito.

O mundo anda para trás, cada vez que uma pessoa goza de um tema destes.

E se as pessoas têm liberdade para o fazer, eu terei sempre a liberdade de me indignar com este tipo de comportamento.

Tive pena dessas pessoas.

Quem pensa pequeno e limitado nunca será feliz por ver os outros felizes.

 

Independentemente dos Globos ou Óscares que possa ganhar eu só tenho isto a dizer: Bravo!

Lili

Podem ver o trailer aqui.

7 Replies to “Cinema | A rapariga dinamarquesa (The Danish Girl)”

  1. ai miga, antigamente amava estes filmes crus especialmente se fossem bons demais, mas tenho-me afastado um pouco dessas realidades frias e dolorosas, nem é por não gostar, mas massacra-me um pouco, ( beeautiful, não te movas, nascer de novo, amor cão) são alguns que me marcaram
    nem vejo historias reais, detesto!! mas sempre detestei, acho que se formos por ai, cada humano tem uma historia para contar e ninguém é melhor ou sofreu mais que ninguem.
    Ultimamente sou mais pelo opio do povo, historias da corochinha no meu caso muito syfy, se não tiver naves ou extraterrestes nem vejo hihhihihihihh
    o meu fil, diz que depois dos trinta parvejei heheheheheheheh , sou a maior nerd do pedaço , conheço tudo de syfy, filmes e series ( até podia fazer um blog sobre o tema hihihihihhiih)
    mas a verdade é outra , já chega de tanta realidade, eu não quero saber de crianças violadas e injustiças sem fim, a vida já é muito cruel, e quando vejo filmes e series é mesmo para desanuviar, por isso não verei ,mas mesmo assim acho que deu para perceber tudinho, muito bem escrito o artigo
    beijinhos

    1. ahahahaha 🙂
      São gostos…! Eu confesso que adoro filmes assim!
      Beijinhos querida

  2. Estou ansiosa por ver este filme.
    Excelente crítica.

    1. Obrigada 🙂
      Chegaste a ver?

  3. Bravo digo eu a este texto!
    Fui ver ontem e agora que li o que escreveu, quase que fiquei com vontade de ver outra vez.
    A sua sensibilidade é fora de série.
    Parabéns pela sua crítica.
    O filme é realmente muito bom.

  4. […] outro dia quando fui ver o filme “A Rapariga Dinamarquesa”, fiquei com o estômago embrulhado e não foi só por causa da história em […]

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Maria Amélia ícone
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