O drama do peso vai muito para além dos números

Muito se tem escrito e falado sobre o programa da SIC, o Peso Pesado Teen.

Confesso que não assisti à estreia no dia em que deu, mas depois fui ver às gravações.

Normalmente assisto a este tipo de programas nos canais por cabo. Vejo principalmente porque gosto de ver pessoas com o sentimento de superação e de recuperação da própria vida e felicidade. Vejo mais por isso, do que por outra qualquer coisa.

É sabido que a obesidade é um problema mundial, principalmente nas crianças.

Eu li e ouvi serem lançadas farpas aos miúdos do programa (Peso Pesado Teen), ou às suas mães chamando-lhes coisas inacreditáveis.

Eu tenho sempre pena das pessoas que decidem humilhar e desprezar o próximo. Como alguém disse um dia: são almas pequenas. E não há pior que isso.

Eu admito que sou um coração fraco e ver o programa destrói-me completamente, porque sou incapaz de me distanciar da realidade que aqueles miúdos vivem.

São praticamente todos infelizes, falam disso imensas vezes com uma leveza incrível, passaram todos episódios dramáticos de bullying e foram abandonados. Eu explico porque eu acho que foram abandonados.

É impossível uma rapariga de 16 anos chegar aos 150 quilos sem ter sido abandonada por todos os que a rodeiam. Pelos pais, irmãos, avós, tios, padrinhos, professores, educadores, médicos de família… enfim. Onde é que estavam todos estes adultos enquanto a menina foi engordando sem parar? Já sem falar que muitos destes miúdos comeram para ultrapassar dramas provocados pelos adultos.

Mas onde estavam os adultos?!

O papel dos adultos não é proteger?

Por todas as questões e mais algumas, está ali uma criança a transformar-se num adolescente doente, humilhado, inseguro, infeliz, desprezado…

Não condenem os miúdos… eles comem 4 pacotes de batatas fritas de seguida para compensarem a dor emocional. E esses pacotes foram parar lá a casa pelas mãos de quem?

Eles comem por compensação emocional.

Aliás não condenem ninguém, foi o passado, já não se pode fazer nada.

Que sirva de alerta para muitas mães que estão em casa e que na hora do supermercado fazem escolhas erradas. A maior parte das vezes, não o fazem por mal.

Os professores que decidem ficar à margem de um assunto destes, por acharem que isto é da responsabilidade dos pais.

Os médicos de família que não perdem tempo a explicar as implicações que a obesidade trará.

Os avós que acham que gordura é formosura.

A todos os adultos que não dão a devida importância a este assunto.

Mais uma vez fico chocada e triste com as barbaridades que tenho lido.

Gostava de perceber se as pessoas que chamam nomes àqueles miúdos se acham que eles gostam de ser assim? Se gostam de ser humilhados? Se gostam de não ter amigos e estar sempre isolados? Se gostam de ir às compras e nunca encontrar roupa que lhes sirva? Se gostam de ter dores nos ossos por terem que suportar tanto peso?

Penso que não. Tenho a certeza que não.

Ao invés de serem almas pequenas e chamarem nomes feios a estes miúdos, chamem-lhes de corajosos por estarem a tentar. Chamem-lhe fortes por se pesarem em frente a um país cheio de pessoas como aquelas que os humilham.

São miúdos, totalmente despreparados para a vida e que nunca se sentiram felizes.

O meu coração está com eles e aplaudo-os de pé por estarem a tentar e, com certeza, por estarem a motivar uns tantos miúdos que estejam em casa a passar pelo mesmo. Estão a tentar mudar para serem uns adultos saudáveis e felizes.

E para as almas pequenas deixo este vídeo protagonizado também ele, por uma alma mísera que mereceu uma resposta destas:

 

2 Replies to “O drama do peso vai muito para além dos números”

  1. O problema é que somos constantemente albarroados com novelas, anúncios, filmes, etc com pessoas muito magras e depois dá nisto… Massacre psicologico total. Principalmente quando isso acontece mesmo dentro da família. Esse vídeo devia calar muita gente…
    Bjs

    1. O vídeo de facto responde a muitas almas pequenas…

      Bjs!

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Maria Amélia ícone
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