Foi um MILAGRE

A tragédia da Tailândia teve um final feliz!

Quase feliz, não fosse a morte do mergulhador.

Mas, infelizmente, há heróis que morrem para salvar outros.

Por isso, são heróis.

Para mim, o que aconteceu na Tailândia, foi um milagre.

O milagre começou no dia em que foram encontrados.

Já se pensava o pior e afinal estavam lá os 13.

Ficaram tão felizes de ver os mergulhadores que deram aqueles sorrisos que ficaram gravados na minha memória para sempre.

Eu tenho um carinho muito especial pelo povo da Tailândia.

Já falei nisso aqui no blogue (Tailândia).

É um povo especial.

É um povo positivo, optimista, grato e particularmente feliz.

Respiram amor por todos os poros.

Aliás, eles são amor!

Em estado puro.

Costumo dizer que vi paisagens lindas na Tailândia, mas o que nunca vi parecido em lado algum foi o sorriso das suas gentes.

E, talvez por isso, e por ter um sobrinho dentro daquela janela de idades, esta história comoveu-me muito.

Acompanhei todos os minutos e desejei tanto que aqueles 13 saíssem de lá sãos e salvos.

Rezei por eles, pelas famílias e por toda a equipa de salvamento.

Fui eu e um mundo inteiro a torcer por todos!

A partilha é sem dúvida a maior vitória da humanidade.

E esta tragédia com final feliz deixou muitos ensinamentos.

Foi provavelmente por a Tailândia ser um povo humilde que aceitou “sem merdas” a ajuda internacional sem ter problemas de mostrar fraqueza.

Foi lindo ver que, em momento algum, as famílias partiram para acusações, para dramatismos ou gritaria.

Não perderam o foco apesar de terem perdido, obviamente, o sorriso. Acreditaram sempre, tiveram sempre com postura positiva e rezaram/meditaram muito.

Apesar de estarem destruídos, aguardaram serenamente.

Os meninos, não obstante estarem na caverna sozinhos e com medo há tanto tempo, confinados à escuridão, à fome, à falta de oxigénio, mas principalmente com o medo de não saberem se iam ser encontrados, conseguiram dar sorrisos aos mergulhadores, conseguiram escrever coisas tão bonitas à família.

E aqui, por muito que meio mundo aponte o dedo ao jovem treinador, eu acho que ele foi quem conseguiu manter os níveis de sobrevivência activos desta equipa. Quem os motivou, quem os incentivou a meditar, quem os ajudou a encontrar a água para beber e ensinou-lhes estratégias de sobrevivência.

Se ele (Akka) foi pouco cauteloso ao levá-los para a gruta? Talvez tenha sido, mas não acredito, nem por um segundo, que achasse que esse passeio (já feito anteriormente por eles) iria colocá-los em perigo.

Sei sim, que foi um corajoso ao pedir desculpas aos Pais e acredito, piamente, em cada letra do que escreveu ao dizer que iria tomar conta dos meninos da melhor maneira que conseguisse.

E assim o fez!

Entre os 11 e os 17 anos falamos de meninos que já têm noção do que se passa, falamos de pré e de adolescentes, falamos de personalidades dominadas pelas hormonas e só um líder muito capaz é que consegue desviar pensamentos negativos e acender neles a luz da esperança e da paz.

Esta história tem muitos heróis e ele, é um deles certamente.

Soube-se pela imprensa que Akka perdeu toda a família quando era criança, que estudou para monge budista, abandonando para ser cuidador da sua avó.

Tem apenas 25 anos, mas parece-me ser um líder nato cheio de amor no coração.

Espero que o mundo seja simpático com ele.

Espero também que os mergulhadores e toda a equipa do teatro de operações descanse e que sinta o quão o mundo está grato pelo que fizeram.

Espero ainda que as famílias voltem a ganhar o sorriso e que abracem muito os pequenotes.

E os meninos… que recuperem a saúde.

Que, apesar de ser muito difícil, tentem esquecer a escuridão, o medo, os barulhos, a fome, as lágrimas e que agora a vida seja aquela que um miúdo dessa idade precisa.

Que seja feita a brincar, a jogar à bola, a correr… e sempre a sorrir.

Não precisavam de passar por isto para nos mostrar que são um povo especial, mas já que passaram, tenho a certeza que nunca mais ninguém se vai esquecer deles e do que aprendemos com isto tudo.

Para mim, foi um milagre.

E hoje penso que está na altura de voltar à Tailândia, preciso daqueles sorrisos e abraços.

 

Créditos da fotografia: Abigail Keenan

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